quinta-feira, julho 24

Adeus! adeus...

São mais alguns dias de tempestade, e mais nada! Não sofras com paciência, luta com arrojo! Eu fico bem… enfrentarei, de peito unido, esta tormenta, já que o mar nos separa o toque.
Diz-me uma palavra, apela-me, e eu esperarei por ti!

Tudo em volta de mim tem uma cor de morte. A minha paixão não se conforma com a desgraça. Se tens força para uma agonia lenta, eu cá não posso com ela.
Tenho ciúmes de todas as tuas horas! Bem que queria dar-te ombro, bem que queria!
Não posso ser o que querias que eu fosse! Tudo finda, foi esse o nosso destino.

A desgraça não abala a minha firmeza, nem deve intimidar os teus propósitos.
Vive, desgraçado, vive! Só a pedra do sepulcro é que nunca se levanta. O destino somos nós que o fazemos! Não desistas que ainda agora começamos. Esperarei por ti, como tenho feito até hoje.
Ainda há esperança, meu amor, ela ainda nos une. Não deixemos que ela nos perca.

Não esperes, minha amante! A luta com a desgraça é inútil, e eu já não posso lutar. Foi um atroz engano o nosso encontro. Perdoa-me, mas aqui está o nosso fim! A esperança em tempos foi-me roubada!
Vai-te! Não te percas de amores por quem já deu o claro motivo que não vale a pena. Já não vale a pena.
Esquece-te de mim e salva-te se puderes!

Esquecer-te?! Como podes pedir-me uma coisa dessas? Como? Tudo vale a pena. Se a alma não é pequena. Já dizia Fernando Pessoa.
Aqui está o nosso fim”, proclamas tu. Olha as nossas esperanças! Assim tudo acaba?! Não posso crer! Não pode findar assim o nosso destino. [Por que não mereço eu o que tanta gente tem?!]
Vê se podes segurar o último fio desta paixão a uma esperança qualquer.
[As minhas mãos são suaves, quase não as sinto]. O pior é a saudade… saudade da esperança que aravas no meu coração!
Vamos esperar! Quem sabe os últimos raios de sol se enterrem em nosso caminho. É o meu último pedido.
Ama-me assim desgraçada!

Não me peças p’ra esperar. Não compreendes a tortura dos últimos meses. Mais do que eu, serás tu que não suportarás tal jornada. [Poderias tu com a desesperança, meu amor? Eu não posso.]
Dezassete anos! Respiras vida! Corre atrás dela, não a percas! Por muitos amores hás-de maravilhar.
Seja a nossa despedida. Não vamos alimentar o insaciável. Acabou, já não arde o coração… o coração já não arde!
Adeus, Moça, adeus…

Tentei, bem sabes! Mas sozinha não consigo! Devia poupar-te esta última tortura [não devia escrever-te], mas perdoa-me a culpa pela consolação que tenho em conversar contigo.
Mas quem te diria que morri, se não fosse eu mesma?! Domina-me a vontade de fazer-te sentir que não podia mais viver sem pujança da tua parte! Quero que digas: Morreu quando lhe tirei a última esperança! [Parece que a mesma infelicidade tem às vezes vaidade de mostrar que o é.]
Mas isto não é queixar-me, amor, não é. Contudo era inevitável “fechar os olhos” quando se rompesse o último fio… esse último que tu partiste e eu mesmo o sinto estilhaçar. [Não vão estas palavras acrescentar a tua pena].
Achei-me capaz aos dezassete anos. Vi a virtude à luz da tua paixão.
Oh! Meu amante, de que céu tão lindo caímos! A vida era bela se a tivéssemos como tu ma pintavas em tempos! Parece que cessa o despedaçar da agonia enquanto a minha alma se recorda.
Hás-de um dia amar[-me]?! Sofre ao coração desta Moça, esta derradeira pergunta, a que tu responderás no silêncio da tua alma.
Adeus, filho da minha vida, adeus!

3 comentários:

Anónimo disse...

SIMPLESMENTE LINDO...Adorei o texto..PARABENS

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
M. disse...

Muitas conclusões posso tirar desta brilhante troca de palavras mas só uma coisa te digo,
nada há que justifique uma abstinência ao mundo.

(Pronto, ficou a primeira parte)