domingo, março 15

Porquê?!


Não, não creio no amor - não naquele que pintam as páginas de um livro ou candenciam as canções.


Ela vem. Vem sempre:

- Porquê manter a esperança no amor, se tanto amor nos mente, se tanto amor nos cansa?!

C., porquê?!

sexta-feira, março 13

Só aí...


Vives comigo em imagens soletradas nos pedaços de nada.
Memória de teus olhos calados em tempestades de sentimentos sobre os meus - loucos inocentes.

Só aí te guardo, agora que te lembro.

So aí.

sábado, março 7

Desconheço-me!


Vão escorrendo as horas lentamente. Penso-as uma por uma.

Hoje, no meu quarto, a noite persiste. Se em breve não finda este torpor, não saberei a minha razão.
E sofro, porque pretendo saber-me sempre…

E hoje desconheço-me!

segunda-feira, fevereiro 23

Caídos


[Não lembro – anda presa a mim.]

Vou tocar-lhe os lábios
Roçar-lhe no peito
Dilacerar-lhe a pele
Afogar-lhe em minha língua
Arrastar-lhe em meu cheiro
Para longe…
Deste maldito mundo.
De engodo e mitos
Onde estamos caídos
Onde não nos sei até quando.

Não me mintasum dia tudo se estala e nada mais haverá.

domingo, fevereiro 8

Oh!...


Agora sorris. Valeu a pena! [Espero que sim!] É preciso acreditar, não é?! Quase te invejo. Já viste? Oh, não te rias. Fumas? Estes não sabem tão bem – mas servem.

Sabes que não vai ser fácil, não sabes?! Haverá [sempre] outras, assim, haverá sempre. Exigências do corpo. Tu sabes. Oh, não chores. Por que choras? Eu nunca te vou trair – eu nunca! Ele vai, por que não haveria ele de o fazer?! Tu ama-lo? Eu amo-te, oh Parva. Ainda choras?! Abraça-me, anda.

Gostas destes cigarros? Amanhã compro dos nossos, está bem?! Hum… Quem é? É ele?! Tu ama-lo! Eu sei. Conheço-te. Mas não te firas, C.. Outra vez, não. Ouviste?! Outra vez, não!

Esta música… Lembras-te, C.?... Lembras-te? Apetece-me viver! Que loucura. Apetece-me viver! Dá-me lume.

Oh…

… Por que choras?!

domingo, fevereiro 1

Terrible Angels



[...]

"Oh if every angel's terrible
Then why do you watch her sleep
You love to hear her sing
And wear purple eyes like rings
Well the flowers have no scent
And the child's been miscarried

Oh every angel's terrible
Said Freud and Rilke all the same
Rimbaud never paid them no mind
But Jimmi Morrison had his elevators
His elevators
He had his elevator angels
If every angel's terrible
Why do you hide inside her.
Like a child in a skirt

The supermarket's loud and bright
And boy don't she feel warm tonight
Boy don't she feel warm tonight
If every angel's terrible..."

sábado, janeiro 24

Preciso-te!




Sabes o que me perturba?! Claro que não. Mas eu digo. Sim, eu digo.

Perturba-me o raio de vida monótona que acarreto – todos os dias. Só à noite descanso este cansaço. Às vezes, nem isso.
Perturba-me o facto de não saber amar a única pessoa que eu realmente amo. Mãe. Amo-te!Perturba-me o meu irmão que, sempre que telefona, exige falar comigo. Hoje descaí, impaciente. Está ofendido, não me fala.
Perturba-me ter de partilhar o mesmo tecto com aquele ser vil que me odeia e que eu também odeio. Não vejo a hora de sair daqui.
Perturba-me aquele velho amor… que ainda me persegue – faz questão de me perseguir: já não te suporto! Desaparece.


Tu, sim… tu também me perturbas! Muito. Essa intermitente ligação que temos – até quando? Mas não é só isso, talvez nem seja realmente isso. É saber que há outras. Muitas, poucas. Não interessa. Existem. Eu sei – faço questão de saber ou fazem questão que eu saiba. Não é ciúme. É mais do que isso… e é isso que me perturba.
A minha vida – quase caio nova de tão velha. Tudo me perturba.
Apetece calar-me nos teus lábios. Agora, é só isso que me apetece. Preciso!

Posso?! Deixas?!

Que cansaço!

quarta-feira, janeiro 21

Espaços


"Em qualquer lugar existes.

Com outras pessoas, perto ou longe, no mesmo compasso de tempo.

Falho todas as adivinhas.

Tão suave e cruel este latejar que separa e aproxima os nossos
coraçoes."


segunda-feira, janeiro 19

Noise...



"I don't mind most of the time

But you push me so far inside"

sábado, janeiro 10

Sim, vai...



Fugiu-me o chão com as palavras – as mesmas que me estavam a servir de assento. Trespassam-me cóleras [muitas, muitas mesmo] frias e arrojadas por gritar – ah, como as quero gritar – e chorar.


Ah, não! Quanto absurdo! Não… Chorar não vou! As lágrimas que agora deito são de raiva, muita, de guerra – a guerra aqui não mata, abre fissuras.

Vou-as beber a todas, neste mesmo instante, que um dia hás-de tragar do mesmo sal – não por mim. Que depois destas não haverá mais gota salina que pingue por meus lábios - não por ti.

Pois isto vai acabar. Juro!... que vai.


Vou encher-me de livros e viver-lhes a existência: que isto passa, que tudo passa.

Amo-te...


- É a última vez que te vejo, não é?
- Hum?! Mas que raio de pergunta a tua.
Estava sentada a seu lado, despedindo-me do último cigarro antes de ir para casa.

- Chama-lhe… feeling!
Dei um riso miúdo e beijei-o. Mordeu-me o lábio.
- Vá, depois falamos.
Beijei-lhe novamente. Rápido e frio.
Agarrou-me pela mão, repentinamente. Virei-me.
- Amo-te! Muito.
- ‘Té logo. Adoro-te, hum! Sorri-lhe.

Amo-te Ainda lembro como me olhava: perdido, atormentado, sem aquele brilhozinho tão dele característico.
Tinha olhos castanhos, grandes no seu rosto magro. Lábios carnudos, não tanto: sabia-me sempre tão bem beijar-lhos! [A sua boca sabia a Halls de menta com trave a tabaco. Combinação perfeita!]. Tinha uma ligeira falha na sobrancelha direita, devido ao piercing que em tempos usara. Era alto. Corpo esguio, bem alinhado. Adorava-lhe as mãos e os braços tatuados. Eram grandes, cabia-lhe tão bem. As suas veias eram salientes: um ponto que me deslumbra. Lembro-me da tatuagem que tinha na mão: era tão diferente. Gostava.

Não, não era belo.
Ainda sei-lhe tão bem. E eu sei que ele também me sabe.
Amo-te… Nunca ninguém me olhou daquele jeito.
Eu sentia-o. Era verdadeiro, sabia-o e, talvez, ainda o sei. Ou sempre o soube. Amo-te…

Amasse-te eu também…

Eu penso nele. Quase todos os dias. Agora, todos os dias. Ele sim, é belo. Não sei, nunca lhe contornei o rosto nem tão pouco o corpo, mas é belo. Gosto da sua feição. Mas não me ama, como tu me amas. Nem [nunca] vai amar. Não como tu. Nem eu o amo, que não sei amar. Mas confesso que gostava de amar-lhe como nunca te amei. Não, não é gosto… é mesmo vontade. Que transcende qualquer razão, motivo ou explicação. Ele é meu, na minha pequena loucura. Gosto-lhe e ele sabe. Sei que sabe. Tu não sabes, nem precisas de saber. Só te ia magoar, causar frustração.
[Sim, ainda te lembro… Por vezes, até te choro. O teu cheiro inunda o meu corpo. Como me recordo. Como ainda sinto!].
Mas não te amo. Não!
Penso nele. Já é noite. Será que me liga?


Foi a última vez que o vi.